Pelo Turbante do Profeta!!!


Desde que entrei para a universidade, mais propriamente dita a Estadual de Montes Claros, ouço sempre falar na academia, na sua importância e contribuição perene ao crescimento social e ao desenvolvimento humano dentre “otras cositas mas”. Tudo a mais pura verdade, creio eu. E por isto, resolvi fazer um tour por esta cidade do conhecimento e ver o que era capaz de descobrir.

Curioso, chafurdei por todo lado nos prédios próximos ao meu até encontrar certa Semana da Religião, promovida pelo pessoal da Filosofia no prédio dois. Pensei: opa, vou atracar meu barquinho por aqui e ver no que dá.

Não tardou e estava eu lá no fundo do auditório, ouvindo um professor falar sobre a questão do Islã na mídia. Pensei: me parece interessante!

O professor fez ótimas colocações ao longo da apresentação e acabei discordando apenas da forma com que falou da Europa, como sendo uma espécie de pangéia. Não podemos esquecer que existe a Europa e a Europa. Isto mesmo, trata-se de um lugar onde o que na Rua Um é sagrado, na esquina com Rua Dois já se tornou profano faz tempo! Enfim, pergunte a um português o que é liberdade e em seguida, a um norueguês. Certamente obterá respostas distintas.

Por lá, o “termômetro das coisas” na Inglaterra funciona pelos tablóides, ou seja, quanto mais se vende ou quanto maior são as indenizações pagas pelos jornais, mais substanciais são os acontecimentos. Já os franceses medem tudo pela quantidade de pessoas nas ruas em protesto ou greve. Quanto maior, melhor. E os alemães? Estes já resumem muito ao número de horas ou dias que os filósofos passam refletindo sobre assuntos já caducos, mas que a obsessão germânica pela perfeição não deixa que descansem em paz. E por aí vai.

Mas já que o objeto da discussão eram os escandinavos, como ficam eles diante desta salada de culturas? Eu diria que para os escandinavos, o tal “termômetro das coisas” é a liberdade na sua forma mais simples e pura possível. Nada de jargões propagandísticos a lá Uncle Sam do tipo “Freedom fries”. Eles apenas amam a liberdade acima de tudo. Ironias à parte, permita-me explicar melhor.

Certa vez um sueco me contou a seguinte piada: imagine que iam dois suecos andando pelo deserto ali por aqueles lados do oriente médio e ao cair da noite, as coisas evidentemente esfriaram bastante. Foi quando avistaram um sujeito moribundo pregado em uma cruz. Eles se aproximaram e o sujeito disse:

- Olá caros amigos, eu sou Jesus Cristo.

- Ah, então você que é o filho de Deus? Disse um dos suecos.

- Sim, sou eu mesmo. Respondeu o Cristo.

- Pois, o senhor podia descer desta cruz porque precisamos muito da madeira para uma fogueira. Ta um frio danado aqui!

Na certa, a maioria não acha graça nenhuma nesta piada e isto se não considerá-la profana. Mas é justamente ai que mora a moral da cultura escandinava. Você pode torcer o nariz para a piada e muitos o farão mesmo lá na Suécia. Mas para eles, pior seria se esta pessoa fosse proibida de contar a piada. Isto é inadmissível na cultura nórdica!

O problema é que existe hoje um enorme número de muçulmanos vivendo em toda a Europa e quando chegam a Escandinávia, o choque cultural é tão grande que acaba cegando o juízo de alguns muçulmanos que lá habitam, incapazes de compreender que o ato de publicar a charge do profeta não tem absolutamente nada de pessoal, não está relacionada à tão importante honra que os seguidores do Islã tanto veneram ou mesmo não se trata de provocação. Era apenas um dinamarquês vivendo normalmente sua vida.

O humor escandinavo é muito irônico e para nós, povo de sangue quente e tão quente quanto o dos árabes - muçulmanos, tudo soa como ofensa e os escandinavos, ficaram perdidos no meio daquele turbilhão de violência sem compreender o porquê de tanta barbárie por causa de uma charge apenas. Aos dotados de pelo menos uma pequena porção da chamada razão fica a certeza de que poderia ter sido a representação fiel do demo e mesmo assim, não justificaria jamais aquela loucura patrocinada por ALGUNS muçulmanos.

O irônico é que foi justamente da boca de um sábio muçulmano que ouvi um comentário interessante a respeito de tolerância. Ele me dizia que tolerar é atributo dos ignorantes e que por isto, acabam, cedo ou tarde, envoltos em conflitos já que paz mesmo vem apenas da compreensão. Se conhecermos o próximo a fundo, elimina-se, logicamente, a necessidade de tolerá-lo.

Quando um cidadão vê sua liberdade cultural ameaçada dentro de seu próprio país por um corpo de estrangeiros, fica evidente que pelo menos uma reflexão sobre os rumos da imigração no local precisam ser considerados. E o pior é que nem se pode falar neste assunto sem ser taxado de xenófobo!

Frederico Félix

2 comentários:

Moreno disse...

Interessante a situação... mas é aquilo: os muçulmanos que vão à Europa para encontrar abrigo, trabalho e comida DEVERIAM se adaptar ao local. Quando vai a casa de um anfitrião, você deve se adaptar as regras da casa, e não o contrário!! Se não quer seguir as regras daquele que o acolhe, que volte de onde veio, ora bolas!! Já vi relatos de estrangeiros aqui, que se indignam com o "jeitinho brasileiro", de resolver as coisas com todo tipo de subterfúgios e escapatórias pela tangente, além das famosas gambiarras. Alguns tentam promover uma melhora, outros se adaptam, sem no entanto perder seus valores, e outros voltam!No caso dessa charge, há de se ter o cuidado de que tudo que cai na mídia rapidamente se torna mundial. E isso qualquer um sabe que pode se tornar um pesadelo eterno para quem publica, vide charges com base em um humor que é o completo oposto da "falta de humor" do oriente médio. E o mais irônico disso tudo é que justamente a sociedade que prega a liberdade na sua forma mais pura é aquela que tinha seus membros chamados de "bárbaros", enquanto a outra que não mede a repressão e a intolerância fez parte de uma das sociedades mais brilhantes da humanidade (se não me engano...) há muito tempo.

Anônimo disse...

Hilária a charge sobre o profeta Maomé! Brilhante até!
Apesar de toda a questão etno-religiosa arraigada na discussão , alguns fatores devem ser levados em consideração: a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.
O impacto causado nos mulçumanos foi muito grande, isso ficou evidente, mas imagine a seguinte situação: uma charge que denigra a imagem de Jesus Cristo. Nem imagino o que aconteceria num país de maioria cristã como o Brasil.
A questão da liberdade de expressão e a chamada liberdade de imprensa são colocadas em jogo. Até onde se pode ir? Não sou eu quem se atreverá a responder esse questionamento.
É fato que essas liberdades (a de expressão e a de imprensa) são levadas em consideração do lado de cá do mapa - supostamente sim. E aí? Se acontecesse uma "blasfêmia em forma de arte" aqui no Brasil? Nem quero imaginar o alvoroço que isso causaria.
Estava lendo o jornal esses dias e encontrei algo que pode ter injuriado muito cristão: a versão mangá da bíblia. Convenhamos que foi genial essa idéia. A possibilidade de transmitir mensagem e evangelizar pode aumentar de forma significativa. Mas isso é outro assunto... fica para uma próxima vez.

Marcelo Alcântara Queiroz
leioimeio@yahoo.com.br