Marco Aurélio NoSpace


Caramba! Não aprendemos mesmo! Deu na Folha faz pouco tempo que o TSE proibiu o último fenômeno eleitoral norte americano que como bom passageiro no barquinho da globalização, bateu a nossa porta.

Trata-se do MySpace. Aparentemente, tem feito o maior sucesso nos EUA já que proporciona ao candidato, uma maneira interessante e dinâmica de interação com os possíveis eleitores. Engraçado, sempre pensei que interagir, discutir, questionar, perguntar, criticar ou sugerir eram termos que faziam parte de qualquer processo democrático maduro e sadio. Aparentemente, a patota do TSE não pensa desta forma.

Retrógrados, deram um caminhão de desculpas para a proibição de campanhas eleitorais via MySpace alegando: "Se não, quanto maior o poder de penetração do candidato e seu poder econômico de arregimentar gente para ter blog, ele terá maior propaganda” (Ministro Marco Aurélio Mello). Ai vem o... Capitão Cavernaaaaa!!!

Enquanto isso na sala de justiça, a turma high tech procura uma brecha aqui outra ali na lei para permitir que o serviço seja prestado. E como quem procura acha (principalmente em se tratando de brechas na legislação brasileira) o pessoal do TSE não faz nada além de legitimar o velho jeitinho brasileiro.

“Certo é que, conforme senso comum, se algo não é proibido, em tese, deveria ser facultado. Contudo, se a lei não proíbe determinadas práticas de propaganda eleitoral, também não as autoriza. No campo da propaganda eleitoral, o que não é previsto é proibido”. Minha nossa, a assessoria técnica do TSE teve inspiração divina ao publicar isto! Se a onda pega, vão dizer que sexo não está previsto na legislação brasileira e por isto é proibido.

O episódio traz a tona outra trapalhada tupiniquim. Lembro-me que quando criança, meu velho, sempre entusiasmado com apetrechos tecnológicos, fazia uma verdadeira Operação Não Tô Nem Aqui para comprar um “micro”computador. Era o raio da lei de reserva de mercado de informática. Acredite, os Flinstones seriam capazes de coisa melhor.

Embora ainda bem pequeno, me sentia um verdadeiro agente da CIA infiltrado nos submundos do contrabando onde o fornecedor escondia o equipamento em enormes maquinas de lavar roupas para não ser pego pela justiça. Tudo porque o governo entendia que restringir a importação iria fomentar a indústria nacional. Santa inocência!

Henry Kissinger certa vez citou em uma de suas obras um pensador a dizer que quem não abraça o novo quando há tempo termina forçado a aceitá-lo quando já deixou de ser inovador. Enquanto os ministros resistem em dizer amém à tecnologia, ficamos por aqui, dizendo amém ao diabo que é esta mania que temos de segurar a lanterninha.

Frederico Félix

P.S. Para os que não entendem inglês, o aviso pregado no monitor da foto acima diz: nossa política é de sempre culpar o computador.

Um comentário:

Moreno Rocha disse...

Pra variar, ótimo texto e humor cada vez mais afiado.Parabéns, primo!